12 de nov de 2014

Conheça e desenvolva seu FIB (Felicidade Interna Bruta)

Por: Eliana Rezende

A colonização pelo econômico em campos que tenham que ver com a felicidade humana de sociedade e civilizações é uma boa pauta.
Quando os noticiários não se cansam de falar de índices de PIB (Produto Interno Bruto), taxas de juros e aplicações e de como isso impacta a vida das pessoas, fico cá com meu pé atrás.

Isto porque, são índices exteriores ao indivíduo que, pouco ou nada, têm a ver com índices de satisfação e felicidade individuais. Não creio que tais índices, métricas, variáveis deem conta de trazer elementos que, de fato, auxiliem e façam jus à uma economia a serviço da satisfação humana.


O PIB (Produto Interno Bruto) serve apenas para mensurar e aplicar índices a mercadorias e bens de consumo. Tê-los não representa valor numa economia não monetária onde os bens são imateriais e intangíveis, tais como saúde, vida plena, família e afeto.

O PIB mesura tudo, menos aquilo que de fato faz a vida verdadeiramente valer a pena.
Um exemplo disso é, neste caso, os EUA. Desde os anos de 1950 seu PIB cresceu 3 vezes. No entanto, os americanos de hoje sentem-se mais infelizes do que os daquele período. O que nos faz parar e perguntar: se PIBs altos são tão fundamentais porque a discrepância nos índices de felicidade e satisfação?

Diria que o tema não é apenas pessoal, em um universo restrito. Tanto que a ONU lançou em 2013 um segundo Relatório Mundial da Felicidade.
Para sua elaboração, foram tomados nove índices que mensuram esta sensação de felicidade nos países.

Graficamente teríamos:


Tomando tais variáveis alguns economistas elaboraram o que veio ser chamado de Paradoxo da Felicidade. O economista Richard A. Easterli, em 1974, afirmava que este paradoxo se assentava em algumas assertivas:
  1. Em uma sociedade, os ricos tendem a ser mais felizes do que os pobres.
  2. Sociedades ricas não tendem a ser (muito) mais felizes do que sociedades pobres.
  3. O enriquecimento do País não leva, necessariamente, à felicidade.
Saindo na frente de todos nós, e tomando isso como uma política não apenas social mas de governo, está o pequeno reino do Butão.

Pequeno geograficamente, o Butão é um reinado hereditário nas encostas do Himalaia,
espremido entre a China, a Índia e o Tibet. Sua população não chega a mais que dois milhões de habitantes, e sua maior cidade, que também é capital chama-se Timfú e conta com apenas cerca de cinquenta mil moradores.

Seu rei, Jigme Singye Wangchuck - que é monge governante - tem como política pública tomar em conta a Felicidade Interna Bruta de seu povo. Mas como conseguir índices positivos nesta seara?

Tendo políticas públicas de uma boa governança, uma justa e equitativa distribuição de renda - que vem dos seus excedentes da agricultura de subsistência, da extração vegetal, criação de animais e venda de energia à Índia - ausência de corrupção, garantia de educação e saúde de qualidade, com sistemas de estradas transitáveis em meio à suas montanhas e coroando tudo relações de cooperação e paz entre o povo. Poderiam, por N caminhos, aumentar a renda per capita de seus habitantes, acabar com suas reservas naturais e áreas de mangue e começar a fornecer energia para a Índia. Mas conseguiriam manter seus índices de felicidade no patamar que estão?
Para seu governante a resposta é: NÃO!

Óbvio que em muitos casos me dirão: mas isso é impossível de se obter em regimes capitalistas, tais como os que temos no mundo ocidental.

É provável que sim.
Mas e que tal buscarmos em nós mesmos, tal como fazemos poupanças ou aplicações pessoais, encontrar um índice pessoal de Felicidade Interna?
Nessa aplicação e rentabilização da Felicidade iríamos priorizar o que de fato importa: aquilo que somos e não o que temos. Aquilo que construímos internamente e não aquilo que compramos. Aquilo que conquistamos pelo autoconhecimento e não aquilo que um cartão de crédito compra. Nosso maior latifúndio seria estender as fronteiras de nossa alma, com amplos dividendos para o cultivo de sabedoria e conhecimento.

A rentabilidade poderia ser ainda maior se houvesse também a aplicação em investimentos futuros.
Ensine os pequenos a valorar desde crianças. Afinal, quanto de fato vale um brinquedo, um passeio, uma guloseima?
Ensine cidadania e valor com responsabilidade.
O futuro agradecerá!


Numa visão economicista e medianamente pragmática, diriam: mas, para quê?
E uma resposta possível seria: porque esta riqueza amealhada não será consumida por inflação, especulação, juros. Estará comigo onde quer que esteja, sem intermediários, atravessadores, especuladores. E o que é mais importante: nenhum ladrão poderá roubar, nenhuma calamidade poderá tomar.

A alma alargada e feliz, será plácida e porto seguro em todas as turbulências da existência.

______________
Posts relacionados:
Quero meus direitos!
Vida sustentável nas Cidades é Cultural. E, isto se aprende!
Contradições em vidas modernas
A arquitetura do medo e a vigilância consentida
Afinal, quem você pensa que é?
Empáticos e gentis: para quê?
Flores outonais do nosso cérebro

*
Curta/acompanhe o Blog também através de sua página do Facebook 

2 comentários:

  1. Lindo texto, Eliana. A propósito, há um Projeto de Emenda Constitucional para garantir em nossa Constituição Federal o direito à felicidade (incluindo no art. 6º a expressão "felicidade", enquanto direito social).

    ResponderExcluir
  2. Ol@ Marcos...
    Muito obrigad@!
    No mundo corporativo vejo sempre as pessoas muito preocupadas com cifras, índices, $$$ e se esquecem que tudo isso é tão volátil e sem "valor". É importante entendermos que se uma iniciativa como a do Butão não for viável a um país inteiro, que seja então nossa ilha particular!
    Devemos dar valor aquilo que verdadeiramente importa.
    Abs

    ResponderExcluir