Ippon institucional: fim de luta para o teatro da vitimização
Por: Eliana Rezende Bethancourt Algumas considerações necessárias sobre essa velha máxima repetida sem pudor: o crime compensa. De novo diante de um método velho e repetido, usado ad nauseaun . É um tipo de mau-caratismo que opera na chave da esperteza vulgar, do cálculo curto e da reincidência travestida de narrativa. Não há sofisticação alguma, e talvez aí resida sua força: quanto mais simplório, mais facilmente consumido por quem já abdicou de qualquer esforço de elaboração. A tal foto — alardeada como registro de alguém entre a vida e a morte — desmorona no primeiro olhar um pouco menos distraído. Corpo erguido, expressão quase satisfeita, um deboche que ri na cara de quem ainda se presta a acreditar. Não há drama, há encenação. E das mais previsíveis. Por outro lado, é preciso reconhecer: Alexandre de Moraes leu o jogo com precisão. Não entrou no espetáculo. Fez algo bem mais eficaz — desmontou o entorno que alimentava a cena. Entregou à família uma situação ...