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O carcereiro de nossas almas

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Por: Eliana Rezende As masmorras de nossas existências possuem muitas divisões: servem para aprisionar, enquadrar e muitas vezes sufocar o que de mais livre possa nos habitar. Como qualquer fortaleza possui paredes grossas que limitam o que entra e o que sai. Limitam espaços, circulação. Servem para dar a impressão de que tudo está seguro e imutável. Mas toda esta infra-estrutura precisa de bons carcereiros. Eles que garantem que o aprisionamento se efetive. Que nada escape, e que a sobrevivência seja garantida pelo tempo com o mínimo possível. Mínimo de investimentos, de pensamentos, de tentativas de fuga...resistência. Lá dentro o prisioneiro perde a noção do tempo, das horas, das estações. Simplesmente deixa-se ficar! E talvez seja neste ponto que o mais cruel se dá: carcereiros de nós mesmos mantemos nosso espírito ali, aprisionado, para que não fuja, para que não saia do controle de nossas masmorras de medos, conveniências, covardias, inseguranças, justificativas. Quanto ...

Quando a ficção vem pra rua...

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Por: Eliana Rezende É assim mesmo que nos sentimos quando lutamos contra o fascismo, o obscurantismo? Perdoem-me todos, mas nunca havia lutado contra um fascista de verdade. Em geral, achava que habitavam as ficções e os livros de história. Considerava que sua periculosidade era componente apenas de minha imaginação. Posteriormente os conheci através de relatos de depoimentos colhidos na área de História Oral sobre os movimentos sociais ligados à Igreja Católica e que resistiam aos anos de chumbo no Brasil (o trabalho desenvolvido possui um acervo riquíssimo que pode ser consultado na CEDIC/PUC-SP). As vozes ali ganhavam tons, entonação, lágrimas e sofrimento. Foram se desvendando para mim e fui descobrindo que a vida real os trazia em toda a sua truculência e perversidade contra os diferentes. Eram perseguidos, presos, violados e violentados de todas as formas e maneiras, sob acusações vis e mentirosas. O seu principal crime? Não concordar com a Ditadura e a perda de direitos...

Limpe sua timeline e desarme-se!

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Por: Eliana Rezende Hoje levantei com o espírito de desarmar-me. Olhei bem para a minha timeline e vi que a partir de tantas conexões e escolhas algorítmicas muito lixo estava sendo despejado. Likes que não me representam, idéias que não compartilho, pensamentos enviesados, muita desinformação, fakes em grande escala de pessoas que absolutamente não me dizem nada além do próprio ódio e preconceito que carregam. Opiniões rasas e visões distorcidas de mundo e contextos. Resolvi inciar um processo de desintoxicação e faxina da minha timeline, removendo todo este tipo de conexões que definitivamente não me acrescentam nada, e muito pelo contrário: me trazem seu mau humor, seus rancores e uma série de sentimentos muito pequenos e insignificantes. A sensação foi libertadora! Timelines não são odorizadas, mas fiquei com a sensação que de repente estava tudo limpo e perfumado. Um alívio! Por isso, sugiro que reflitam sobre isso e iniciem esta semana uma faxina na sua. Irão se sentir al...

O Futebol como Metáfora (De Copa em Copa)

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Por: Eliana Rezende Este post começou a ser escrito em 2010. A cada Copa que se sucedia tentava não ser imediatista, e como historiadora que sou dei tempo ao tempo. Longe das paixões e decepções de momento fui tecendo um bordado de impressões, e os armazenando em gavetas de existências, típicas e caras dos que escrevem sem pressa, como citei no meu post " Palavras Vincadas ".  Como retalhos numa colcha de patchwork as impressões foram se sobrepondo e o resultado deixo para apreciação coletiva, como coletivo é o jogo e todas as discussões decorrentes. De cada derrota, o que sempre fica, é a de que o futebol é mesmo uma boa metáfora para nossas existências, sejam elas pessoais, profissionais, acadêmicas ou outras quaisquer. 2010:   Acho que são horas de contabilizar... Não foi um Mundial que deixou muitas saudades. Alguns jogos realmente deram-me o prazer da contemplação e de enxergar, nos dribles, metáforas da existência. De enxergar nas ações e atuações de h...

Sampa: a Velha Senhora...

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Por: Eliana Rezende Praça Carlos Gomes - SP   Sampa agoniza... Sinto-a como uma velha senhora que está morrendo. E morre, não em seu momento de glória e vigor. Deixa a cena de forma triste... é um corpo obeso que se movimenta com dificuldade: excedeu em muito suas capacidades de acomodar seus volumes imensos. Suas artérias estão obstruídos e doentes. Não lhe faltam pontos de congestionamentos, deterioração, cicatrizes... Seu pulmão falha, e quase não respira. Falta-lhe oxigenação. O cinza toma conta do ar que a alimenta.  Seu coração é o mesmo (um centro doente e volumoso) que já não acomoda e nem irriga suficientemente suas extremidades. Muitas partes sofrem a gangrena da pobreza extremada, da violência e de todo o conjunto que a miséria humana consegue patrocinar. O coração que antes batia forte hoje arfa com dificuldades de dar pulsação e ritmo ao que está distante. Seus intestinos param dia a dia de funcionar. Os dejetos paralisam funções e não fluem como ...

Contradições natalinas

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Por: Eliana Rezende A humanidade é mesmo um mosaico de contradições que se manifestam sob vários aspectos. Saio quase como que uma sobrevivente da que considero uma das maiores contradições ocidentais: o Natal! O tempo tem passado e meu desconforto com esta data é inversamente proporcional a publicidade em seu entorno. Não sei se pelo calor, congestionamentos, consumismo desenfreado, excessos de gestos, embriaguez, gulas e outras sandices guardo desta época profundo mal estar e péssimo humor. Lia outro dia como o Natal é de fato, o maior exemplo de como se descumprir em apenas um dia um rosário de boas regras e condutas cristãs. Vejamos: Segundo o professor do Instituto de Psicologia da USP Cristian Dunker que analisa que o Natal vinculado ao consumo nega ponto a ponto os valores originários do cristianismo. Para os que não sabem quais são ou nem se lembra deles aí vão: "(...) o altruísmo , e não a cobiça com os presentes;  a sobriedade , e não a ostentação de árv...

Algorítmos como grilhões para Conhecimento e Inovação

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Por: Eliana Rezende Há tempos venho pensando, e com certo incômodo que a  partir do desenvolvimento de ferramentas com fins claros de determinar perfis, gostos, nichos e vontades dos consumidores uma lógica perversa se deu e tornou-se um limitador. A partir do desenvolvimento de ferramentas com fins claros de determinar perfis, gostos, nichos e vontades dos consumidores uma lógica perversa se deu. Observe: Todas as vezes que realizamos uma busca, qualquer que seja, imediatamente algoritmos começam a selecionar quais as respostas que são as nossas preferidas, e dia-a-dia, pesquisa após pesquisa começam a aprender sobre nosso perfil, nossos gostos e desgostos. Isso por si só não seria o problema. O problema piora logo a seguir, pois para haver uma customização de nossos gostos e preferências, quase sempre somos levados aos mesmos lugares e quase que invariavelmente, às mesmas velhas respostas. É a famosa existência dentro de uma bolha. Quase sem notarmos estaremos fornec...

Design de Informação para Portais Institucionais

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Por Eliana Rezende e Lionel C. Bethancourt  "No começo, a internet era simples. Quando a conheci, nos começos de 1993 (trabalhando para a O'Reilly Global Network Navigator) havia somente um navegador para ver as páginas web, e ele funcionava exclusivamente na plataforma Unix. Existiam somente uns doze comandos que faziam tudo ser interessante. Desenhar uma página web era uma tarefa relativamente simples. Não ficou simples por muito tempo." Niederst, Jennifer, "Web Design in a Nutshell", 2001. Aceitemos como fato, que toda informação moderna, ou é criada ou será digitalizada mais cedo ou mais tarde, para o espaço mais caro e inexistente da face da terra. Toda a informação histórica contida em documentos analógicos irá mudar para digital brevemente. Quando lidamos com informação, muitas perguntas nos ocorrem, e as dúvidas subsequentes são de várias ordens.   Nosso mundo tecnológico, digitalizou-se de tal forma, que hoje a informação est...

Espaços de liberdade e ócio se estreitaram

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Por: Eliana Rezende Uma metáfora interessante para a vida que temos e levamos. De repente os muros que cercam nossas cidades e vidas estão cada vez mais altos numa busca frenética por segurança. A vigilância permitida acaba sendo um consenso para a vida contemporânea e ninguém já se incomoda com câmaras em locais públicos, entradas de residência, prédios e locais de trabalho. É o que em outro post chamei de vigilância consentida . Explora-se na Arquitetura o chamado conceito aberto, onde espaços integrados dão ao seu usuário a sensação de estar integrado a tudo e todos. Mas ao mesmo tempo os indivíduos vivem cada vez mais o que denominei de contradições em vidas modernas . Em verdade, os muros aqui não são de proteção e segurança. Muito ao contrário! São muros de estreitamento, cerceamento de liberdade através da exposição continuada. Mas numa situação até paradoxal e quase que numa exata proporção, nossos espaços de liberdade,  sonho e ócio se estreitaram. Cada vez...

Leitura em tempos de textos visuais

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Por: Eliana Rezende Fenômeno estranho o que estamos assistindo. A invasão imagética tem sido de tal ordem e magnitude que outro dia parava e pensava sobre o que eram simples textos. Ideias justapostas em parágrafos e que, em sendo construídos, chegavam a ocupar páginas inteiras. Hoje temos uma economia de sentidos que possibilita o uso de textos curtos mas não mais em formas de parágrafos justapostos, mas de imagens. E nesta profusão de conteúdos sintéticos com perfil de fotografia vamos encontrando de tudo: de frases de autoajuda, palavras de ordem, desafios cognitivos, tentativas de pequenas piadas e críticas sociais, até o seu posposto: incitamento ao ódio, violência, xingamentos, xenofobias, preconceitos. Os textos - se escritos são pura e simplesmente economia silábica e há todo momento saltam dos mesmos listas, enumeração e pontos: sempre temos a sensação de que saímos de vez de um texto de Word e entramos direto numa apresentação em PPT. Cansativo, repetitivo. O...