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Mostrando postagens de 2017

Algorítmos como grilhões para Conhecimento e Inovação

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Por: Eliana Rezende Há tempos venho pensando, e com certo incômodo que a  partir do desenvolvimento de ferramentas com fins claros de determinar perfis, gostos, nichos e vontades dos consumidores uma lógica perversa se deu e tornou-se um limitador. A partir do desenvolvimento de ferramentas com fins claros de determinar perfis, gostos, nichos e vontades dos consumidores uma lógica perversa se deu. Observe: Todas as vezes que realizamos uma busca, qualquer que seja, imediatamente algoritmos começam a selecionar quais as respostas que são as nossas preferidas, e dia-a-dia, pesquisa após pesquisa começam a aprender sobre nosso perfil, nossos gostos e desgostos. Isso por si só não seria o problema. O problema piora logo a seguir, pois para haver uma customização de nossos gostos e preferências, quase sempre somos levados aos mesmos lugares e quase que invariavelmente, às mesmas velhas respostas. É a famosa existência dentro de uma bolha. Quase sem notarmos estaremos fornec...

Design de Informação para Portais Institucionais

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Por Eliana Rezende e Lionel C. Bethancourt  "No começo, a internet era simples. Quando a conheci, nos começos de 1993 (trabalhando para a O'Reilly Global Network Navigator) havia somente um navegador para ver as páginas web, e ele funcionava exclusivamente na plataforma Unix. Existiam somente uns doze comandos que faziam tudo ser interessante. Desenhar uma página web era uma tarefa relativamente simples. Não ficou simples por muito tempo." Niederst, Jennifer, "Web Design in a Nutshell", 2001. Aceitemos como fato, que toda informação moderna, ou é criada ou será digitalizada mais cedo ou mais tarde, para o espaço mais caro e inexistente da face da terra. Toda a informação histórica contida em documentos analógicos irá mudar para digital brevemente. Quando lidamos com informação, muitas perguntas nos ocorrem, e as dúvidas subsequentes são de várias ordens.   Nosso mundo tecnológico, digitalizou-se de tal forma, que hoje a informação est...

Espaços de liberdade e ócio se estreitaram

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Por: Eliana Rezende Uma metáfora interessante para a vida que temos e levamos. De repente os muros que cercam nossas cidades e vidas estão cada vez mais altos numa busca frenética por segurança. A vigilância permitida acaba sendo um consenso para a vida contemporânea e ninguém já se incomoda com câmaras em locais públicos, entradas de residência, prédios e locais de trabalho. É o que em outro post chamei de vigilância consentida . Explora-se na Arquitetura o chamado conceito aberto, onde espaços integrados dão ao seu usuário a sensação de estar integrado a tudo e todos. Mas ao mesmo tempo os indivíduos vivem cada vez mais o que denominei de contradições em vidas modernas . Em verdade, os muros aqui não são de proteção e segurança. Muito ao contrário! São muros de estreitamento, cerceamento de liberdade através da exposição continuada. Mas numa situação até paradoxal e quase que numa exata proporção, nossos espaços de liberdade,  sonho e ócio se estreitaram. Cada vez...

Leitura em tempos de textos visuais

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Por: Eliana Rezende Fenômeno estranho o que estamos assistindo. A invasão imagética tem sido de tal ordem e magnitude que outro dia parava e pensava sobre o que eram simples textos. Ideias justapostas em parágrafos e que, em sendo construídos, chegavam a ocupar páginas inteiras. Hoje temos uma economia de sentidos que possibilita o uso de textos curtos mas não mais em formas de parágrafos justapostos, mas de imagens. E nesta profusão de conteúdos sintéticos com perfil de fotografia vamos encontrando de tudo: de frases de autoajuda, palavras de ordem, desafios cognitivos, tentativas de pequenas piadas e críticas sociais, até o seu posposto: incitamento ao ódio, violência, xingamentos, xenofobias, preconceitos. Os textos - se escritos são pura e simplesmente economia silábica e há todo momento saltam dos mesmos listas, enumeração e pontos: sempre temos a sensação de que saímos de vez de um texto de Word e entramos direto numa apresentação em PPT. Cansativo, repetitivo. O...

O Vendedor de Enciclopédias

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Por: Eliana Rezende Olhando pela vidraça da janela da sala, chegando como uma novidade esperada, vem o vendedor de enciclopédia. Eram eles que traziam o mundo em puzzle e informações à conta-gotas em formatos de verbete.  Sempre bem engomados, ternos escuros, camisa de um branco reluzente. sapatos bem engraxados e as meias combinando ora com o sapato, ora com as calças, cabelos bem penteados, muitas vezes usando alguma pomada, sorriso aberto, voz macia. Ofereciam janelas para o mundo direto de nossas portas quando de dentro de suas malas faziam surgir coloridos livros, imagens, textos e toda uma parafernália de estímulo aos sentidos e à imaginação. Sonhos, fantasias e até o mito de mascatear cultura vinham em meio à suas páginas ofertadas em diferentes composições e possibilidades. Muitas vezes folhadas ávidamente por dedos rápidos e olhares curiosos de clientes domiciliares.   Materializavam o sentido do saber e informação de um mundo que corria analogic...