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Quadro impressionista

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Por: Eliana Rezende Teus escritos lido depois de algum tempo compõe para mim um retracto. Retracto de tons que não são os meus... sombras e rascunhos de paisagens conhecidas e reconhecidas pela familiaridade com o tema, mas nunca realmente vividas em sua totalidade. Um quadro impressionista, talvez... Claude Monet (1840-1926) Ponte Japonesa Como espectadora diante de uma tela pintada por outro artista resta-me apenas e tão somente impressões. Vejo nele o retracto do que é o teu viver... do que é tua vida construída ao lado de outrem. Reservo-me o direito de questionar-me sobre o lugar de um espectador em uma tela pintada em um outro tempo. Qual é o poder de persuasão sobre o artista? Como interferir nas motivações e inspirações para um quadro “tão perfeito”?  Qual o espaço para o espectador? Onde entra ele? Será ele apenas um consumidor? Ou terá um dia alguma influência sobre as obras futuras? Aquelas que não passam de esboços “rascunhados” no calor do contac...

Trílogo (dos amantes e da poetisa)

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Escrito e lido por: Eliana Rezende Ouça eu ler para você (escolha a opção abrir com:  Music Player for Google Drive) E, porque te amo muito. A Poetisa: “Ficamos assim: você joga as queixas no telhado, eu ponho as manias de lado, você lava a escadaria, eu rego o jardim. Podemos varrer juntos as nódoas secas aderentes ao passado. Se você se habilita, eu me disponho, num desafio à desdita. Você acende a luz, eu desempeno o sonho, enquanto você ensaia o passo, eu troco a fita. Na mesa torta, a toalha colorida. O resto é fácil: basta mandar flores ao futuro, derrubar o muro e acreditar na vida.” (Flora Figueiredo)   O Amante: Te amo muito, sabes disso? Se não sabes, que seja nosso segredo, nosso melhor segredo. O (segredo) que nos mantêm quentes nos dias frios e satisfeitos nos dias quentes. Que nos faça abrir os olhos de manhã num afã para ver a mesma luz que ilumina o outro. Que nos faz olhar o céu, e trocar um beijo escondido, ao ver o mesmo azul que ...

Chá Preto

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Por: Eliana Rezende Os amores e os afectos são como as bebidas quentes. Estas, devem ser deglutidas delicada e vagarosamente... sempre quentes, em chávenas igualmente delicadas, finas, brancas, de porcelana ou quem sabe, nas que são espessas,  coloridas, de bordas grossas e encorpadas. São excelentes nos dias frios porque aquecem todo o corpo. Dão a sensação de bem-estar, conforto, calor e “preenchem” sem pesar. Alimentam e em muitos casos revigoram e acalmam corpos cansados. Oferecem aroma aos sentidos e sabor ao paladar. E ainda há mais: com diferentes tons oferecem cores aos olhos e enchem-lhe de matizes cinzentas, rosadas, douradas, verdes e  prateadas . Tons do belo outono que preenchem de forma líquida espaços delicados. Se tomadas próximo ao fogo parecem tornar-se próprias à reflexão e contemplação: levam nossos olhos, janelas da nossa alma, para a percepção das chamas que ardem, que crepitam no calor e nos fazem pensar no poder transformador de uma chama. S...