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A Boa Morte é a Arte de saber Viver

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Escrito e lido por: Eliana Rezende Ouça eu ler para você (escolha a opção abrir com:  Music Player for Google Drive)  Sempre penso em palavras que representam tabus. Morte parece-me uma delas. As pessoas fogem de dize-la, de senti-la ou pressenti-la, considerando-a como de mau agouro. E mesmo em face de circunstâncias onde ela se impõe, quer a si próprio, quer a um ente querido, é sempre envolta em névoas de medos e superstições. Não consigo crer que deva ser assim. Afinal, morrer é tão parte do viver que está na outra ponta de nossa existência. Passar pela vida significa aceitar entre outras coisas nossa finitude e que um dia não estaremos mais presentes. Em verdade, não consigo achar problema algum nisso! Vejo que mais do que fugir da morte, pessoal ou alheia, devemos ter-lhe reverência. Ela encerra um ciclo de existência e por si só é um rito de passagem. E como todos os ritos humanos deve ser reverenciado e acolhido como parte. Experienciei a morte ...

Nossa vida é nossa primeira ficção

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Escrito e lido por: Eliana Rezende Ouça eu ler para você (escolha a opção abrir com:  Music Player for Google Drive) Li esta frase de uma quase xará: Eliane Brum em uma entrevista, e fiquei com ela na minha cabeça porque, desde sempre, acredito muito nas histórias que contamos para nós mesmos sobre o que vivemos ou experimentamos. Em vários casos essas ficções de tão repetidas, quer pela palavra, quer por fragmentos de memórias passam a ser uma crônica. Uma crônica de nossa vida e de como reinventamos trechos de nossas histórias. Desde cedo aprendemos que alguns fatos chateiam, envergonham, constrangem, ou seu contrário: enchem de alegria, de sons, de movimentos os nossos dias. Daí a necessidade de ora nos aproximarmos deles e ora nos afastarmos. Seletivos em nossas memórias, aprendemos que podemos reinventar estes trechos e fazer deles uma longa história! E daí que as Memórias passam a compor este ficcional que vamos reescrevendo, aumentando e diminuindo de aco...

Trincheira das palavras

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Escrito e lido por: Eliana Rezende  Ouça eu ler para você (escolha a opção abrir com:  Music Player for Google Drive) Desafiam, instigam, maquiam... e, em tempos contemporâneos, provocam verdadeiras plásticas em sentidos e objetivos. Palavras que carregavam seu sentido e essência veem-se alteradas e modificadas em uma forma de sequestro de significados, uma assepsia acéfala. A provocação aqui está em exatamente mostrar o quanto foram extirpados dos nossos dicionários termos como velhice, morte ou afins. O quanto se domestica aquilo que é natural e que de fato fecha um ciclo do que integra a existência. Defendo o uso de tais palavras, livre de trincheiras, plásticas, maquiagens! Quero tudo aquilo que faz parte da vida e entre elas estão às marcas que o tempo me fez (quer na face, quer na alma), a experiência acumulada pela velhice dos meus anos e porque não dizer que quero a Boa Morte... no sentido da dignidade do encontro com um fim? Que tenha dignidade...