Você ainda escreve cartas?
Por: Eliana Rezende Provavelmente a resposta é: "parei faz um tempão!" Mas houve um tempo em que as cartas possuíam um ritual de produção e atenção. Lembram-se dos envelopes que continham perfume? Pois é... novos tempos. Mas e agora? As formas de escrita sempre encontraram diferentes suportes e as cartas tal como os diários, representam uma forma de escrita ordinária onde imprime-se com o que se sente. A relação com a escrita neste caso específico é uma relação tátil e de afetos. Sob esta ótica, era ritualística e envolvia um tempo cíclico composto de começo, meio e fim. Exigia uma composição que ia desde a escolha do tipo do papel, a tinta, o cunhar as palavras de próprio punho, a busca de um envelope que não alterasse a forma de dobras e, óbvio: filas nos correios, compra de selos, o uso das colas e finalmente o encontro com uma caixa que servisse de fiel depositária até que esta encontrasse seu destinatário. O recebedor da carta inspecionava quem lhe h...