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Mostrando postagens de abril, 2014

Como se constrói uma Narrativa Fotográfica?

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Por: Eliana Rezende Pare, pense e responda: Você vai fazer uma longa viagem, somente poderá levar uma mala de mão com alguns pertences. O quê você levaria, quais objetos seriam sua escolha? O que seria fundamental? Em 1995, a Secretaria de Saúde do Estado de New York, desativou o Sanatório Mental de Willard, em Syracuse. um edifício de arquitetura vitoriana que abriu suas portas em 1893. Antes de concluir o fechamento, o funcionário Bev Courtwright, foi incumbido de fazer uma vistoria para determinar o que poderia ser recuperado (antiguidades, mobília, etc.). Ao executá-la, o funcionário abriu a porta de um dos sótãos, e descobriu um tesouro: uma coleção de mais de 400 malas (429, mais precisamente) com pertences de antigos pacientes da instituição, datando de 1910 até fins dos anos 1960. Craig Williams adquiriu as malas para o Museu do Estado de New York e as incorporou à Coleção Permanente da instituição. No ano de 2003 ela originou uma exposição que o fotógrafo Jon Crisp...

Chegamos ao fim da leitura?

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Por: Eliana Rezende De novo sobre leitores e leituras. Instigando todos a pensar um pouco... Em "Utopia de um homem que está cansado", Borges descreve o encontro do narrador com um homem de quatro séculos, que vive no futuro – ‘um homem vestido de cinza’, cor que envolve os mensageiros da estranheza em vários contos do escritor argentino – e que faz assustadoras revelações. Uma delas é a extinção da imprensa, “ um dos piores males do homem, já que tendia multiplicar até a vertigem textos desnecessários ”. (BORGES, 2001, p. 84) À revelação do desaparecimento da imprensa no mundo do futuro, o narrador responde com um longo discurso: “Em meu curioso ontem (...) prevalecia a superstição que entre cada tarde e cada manhã acontecem fatos que é uma vergonha ignorar. O planeta estava povoado de espectros coletivos, o Canadá, o Brasil, o Congo Suíço e o Mercado Comum. Quase ninguém sabia a história anterior desses entes platônicos, mas sim os mais ínfimos pormenores do ú...

Escravos do celular?

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Por: Eliana Rezende O tema é interessante e talvez por isso esteja na terceira pessoa. Em maior ou menor grau estamos atropelados e invadidos pelos  meios de comunicação. Diferente do que ocorreu com o telefone fixo quando de seu surgimento, havia um "manual de uso e recomendações" sobre horários e situações. O ilustrador americano J. J. Sedelmaier, que tem uma coleção das mais belas peças criadas pelo designer industrial Henry Dreyfuss, durante o longo reinado da Western Electric, Bell Telephone Company e AT&T, divulgou recentemente uma pequena preciosidade. Trata-se do Manual confeccionado em 1950 pela Bell que ensinava o bê-a-bá a quem se iniciava no uso do telefone em casa. Uma delícia de lembrança de tempos idos. Confira: O ritual de receber ou fazer uma ligação merecia horário e até uma mesinha de canto especial para o digno aparelho. A ligação era sempre recebida sentado e confortavelmente acomodado em uma cadeira ou poltrona. Nada merecia a i...

Curadoria de Conteúdos: O que é? Quem faz? Como faz?

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Escrito e lido por: Eliana Rezende Ouça eu ler para você (escolha a opção abrir com:  Music Player for Google Drive) O termo inquieta muita gente e, pela banalização de seu uso em diferentes meios comunicacionais, causa a impressão de que ao final qualquer um pode realizar a Curadoria de Conteúdos, ou como alguns preferem chamar Curadoria Digital ou Curadoria Informacional. Em todos os casos, a questão circundante não muda muito e por uma questão que é muito mais pessoal do que de qualquer coisa, opto chamá-la aqui de Curadoria de Conteúdos, já que Informação é a matéria-prima com a qual se lida e não utilizo Digital, por crer que o curador pode e deve atuar utilizando a produção de conteúdos para quaisquer suportes. Já há algum tempo venho pensando em como falar a respeito do tema, tomando em conta especificamente a visão que tenho a partir de diferentes leituras. Talvez, devêssemos começar pelo contrário, e estabelecer o que Curadoria não é . Obser...

Quadro impressionista

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Por: Eliana Rezende Teus escritos lido depois de algum tempo compõe para mim um retracto. Retracto de tons que não são os meus... sombras e rascunhos de paisagens conhecidas e reconhecidas pela familiaridade com o tema, mas nunca realmente vividas em sua totalidade. Um quadro impressionista, talvez... Claude Monet (1840-1926) Ponte Japonesa Como espectadora diante de uma tela pintada por outro artista resta-me apenas e tão somente impressões. Vejo nele o retracto do que é o teu viver... do que é tua vida construída ao lado de outrem. Reservo-me o direito de questionar-me sobre o lugar de um espectador em uma tela pintada em um outro tempo. Qual é o poder de persuasão sobre o artista? Como interferir nas motivações e inspirações para um quadro “tão perfeito”?  Qual o espaço para o espectador? Onde entra ele? Será ele apenas um consumidor? Ou terá um dia alguma influência sobre as obras futuras? Aquelas que não passam de esboços “rascunhados” no calor do contac...

Em Tempos de Tintas Digitais: Escritos e Leitores - Parte III

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Por: Eliana Rezende Este post encerra a série sobre escritos e leitores em tempos digitais. Longe de significar uma conclusão, coloca-se como sendo intenções de apontamentos impressos à tinta. Você pode conhecer melhor toda a série de artigos seguindo os pontos destacados no texto a seguir.  O século XXI está assistindo um ponto onde nossa sociedade coetânea passa pela dessacralização da escrita contínua, linear e exerce características intertextuais , que se fragmentam em múltiplos sentidos.  Até o advento da web, o universo de produção da escrita era tangível. Poderíamos mesmo chamá-lo de analógico, pois encontrava nas palavras a forma máxima de sua expressão. As palavras nominavam ideias e ganhavam nas tintas impressas seu poder de materialização onde o dito e pensado vinham à existência, corporificavam-se.   As entrelinhas eram caminhos extras para inquirir e perscrutar o passado, o dito ou escrito. Teciam possibilidades a partir do não dito. Ofere...