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Mostrando postagens de maio, 2014

Patrimônio Arquitetônico: Preservar não é apenas tombar!

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Por: Eliana Rezende O que seria uma ação de preservação adequada? Seria a preservação uma forma de recriar de forma artificial o espaço urbano, excluindo e levando para longe aquilo que é considerado inadequado ou indesejável? A discussão pode ser longa e enveredar por muitos caminhos. Em geral, tem-se a falsa noção de que uma ação de preservação ou tombamento é tornar tudo limpo e arrumado, afastar da paisagem tudo o que seria considerado marginal e social ou culturalmente inadequado.  Missões Jesuíticas Guarani Em verdade, as coisas não são bem assim. Talvez o caminho seja esclarecermos algumas noções fundamentais. Escolho para tanto falar sobre os conceitos de Preservação, Conservação, Restauração e Tombamento. Tais conceitos podem ser utilizados por diferentes áreas, e portanto, opto por estabelecer noções que sejam mais abrangentes. A noção de preservar tem que ver com uma atitude de prevenção, é algo que se estende a modos que implicam uma conscientiza...

Vendem-se palavras

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Por: Eliana Rezende Há crônicas que são mesmo fantásticas! Esta fala das palavras que nomeiam o mundo. Neste mundo onde tudo tem que render um bom negócio, acho que vale à pena esta pechincha! Considero uma boa forma de pensarmos sobre Informação e Conhecimento. Experimentem... Leiam comigo! O vendedor de palavras Fábio Reynol Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma ideia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs. Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico — apenas R$ 0,50!". Demorou quase quatro horas para que...

Você ainda escreve cartas?

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Por: Eliana Rezende Provavelmente a resposta é: "parei faz um tempão!" Mas houve um tempo em que as cartas possuíam um ritual de produção e atenção. Lembram-se dos envelopes que continham perfume? Pois é... novos tempos. Mas e agora? As formas de escrita sempre encontraram diferentes suportes e as cartas tal como os diários, representam uma forma de escrita ordinária onde imprime-se com o que se sente. A relação com a escrita neste caso específico é uma relação tátil e de afetos. Sob esta ótica, era ritualística e envolvia um tempo cíclico composto de começo, meio e fim. Exigia uma composição que ia desde a escolha do tipo do papel, a tinta, o cunhar as palavras de próprio punho, a busca de um envelope que não alterasse a forma de dobras e, óbvio: filas nos correios, compra de selos, o uso das colas e finalmente o encontro com uma caixa que servisse de fiel depositária até que esta encontrasse seu destinatário. O recebedor da carta inspecionava quem lhe h...

Duvidar é pensar!

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Por: Eliana Rezende - "Tens a certeza?" Vejam, não se trata aqui de duvidar por duvidar ou criar um celeuma de qualquer ordem: seja político, ideológico, científico ou religioso. É mesmo procurar trazer à baila a importância e o valor que o pensamento crítico propicia. E este só encontra terreno fértil ante à dúvida. É preciso questionar sempre para que as respostas venham não por mera osmose, mas a partir de um trabalho sério de crítica e reflexão. Vejo como sendo "natural" ao humano a busca de crer antes até de entender. A História está repleta de exemplos aonde a credulidade conduziu povos e nações inteiras a confrontar-se com suas piores partes e vaticínios. Tudo em nome de uma pretensa verdade absoluta. A dúvida, portanto seria um caminho mais sábio que favoreceria a possibilidade de compreender não de um ponto de vista meramente crédulo, mas estruturado e embasado. As crenças, tais como as doutrinas não têm em seu horizonte a dúvida e o q...

Empáticos e gentis: para quê?

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Por: Eliana Rezende Há tempos quero falar sobre estas duas características, cada vez mais raras e quase sempre tão confundidas. A dificuldade se dá exatamente porque no mundo corporativo elas parecem ceder vez a outras palavras que ultimamente estão virando moda, como por exemplo: inovador, criativo, pró-ativo, entre outras. De outro lado, empatia e gentileza são características que não estão no rol de termos monetizáveis. E ainda mais: não nascem como virtude e nem se adquirem ao se frequentar uma escola. Não estão à venda, nem são itens de consumo rápido, obtido por entregas via cartão de crédito. Partindo de tanta dificuldade, resolvi iniciar minha busca pelos dicionários. As interpretações são muitas e várias, suas aplicações alcançam um número ainda maior. Mas das definições que vi escolhi estas: "Gentileza é a qualidade do que gentil, do que é amável. Gentileza é uma amabilidade, uma delicadeza praticada por algumas pessoas. A gentileza é uma forma de atenção, de ...

O trabalhador invisível

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Por: Eliana Rezende Começo com uma pergunta simples: Você em seu cotidiano "vê" um gari? A pergunta pode parecer óbvia e alguns inclusive dirão: “mas é claro!” Mas será que de fato é assim? Acompanhe-me: Tempos atrás lia sobre um pesquisador que para desenvolver sua pesquisa de Mestrado na área de Psicologia Social vestiu-se de gari um dia por semana durante um período de seis anos, dentro do próprio Campus da Universidade de São Paulo no Departamento de Psicologia.  Clicando aqui você pode conhecer mais sobre essa pesquisa e seu recorte. No decorrer de sua pesquisa e para sua surpresa, percebeu o quanto essa categoria era ignorada por professores, alunos e funcionários. Em suas palavras: “Conhecia muitas das pessoas, porém, todas passavam sem me olhar. Em determinado momento, um professor se aproximou e interrompi a varrição para cumprimentá-lo, debruçando-me sobre a vassoura. Ele não me notou. Chegou a esbarrar no meu ombro e nem sequer parou para pedir desc...