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Mostrando postagens de julho, 2014

Facebook: robotização e sedentarismo em rede

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Por: Eliana Rezende Transcorridos os anos, o Facebook começa a conhecer o imobilismo criativo. Festejado em seus primórdios pelas possibilidades e potencialidades de conexão e compartilhamento social, usos dos mais variados, hoje sua plataforma parece ter encontrado em uma década sua senilidade e imobilismo. E explico: A experiência da rede tem se mostrado acomodada, acrítica, extremamente passiva e muitas vezes simplória. Seus usuários muito rapidamente acostumaram-se a fórmulas que consagram e incentivam a economia de pensamento crítico. Tudo reduz-se ao “curtir”, onde a mecanização do gesto guarda em si a ignorância. Em muitos casos, se não na maioria das vezes, o botão é acionado sem que a pessoa tome de fato conhecimento do que se trata. A preferência imagética é quase total e a fórmula aqui é uma foto e uma frase. A simplicidade rudimentar agrada, já que exige pouco, tanto de quem comunica quanto de quem é comunicado.   Tanto imobilismo não entreterá por mu...

Museus: faces e fases de uma metrópole

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Por: Eliana Rezende Como poderíamos, por meio de determinados ícones de arquitetura e cultura, entender uma metrópole? Experimente fazer isso com alguns deles. Comecemos por dois. Com acervos e localização à parte, os prédios da Pinacoteca do Estado de São Paulo e o MASP (Museu de Arte de São Paulo) podem nos trazer pistas interessantes sobre a metrópole e suas faces. Contam-nos boas histórias de um outro tempo e da criatividade e determinação de seus arquitetos e idealizadores. Um é representante de uma arquitetura tradicional de princípios do século XX, com projeto do escritório de Ramos de Azevedo (1896-1900) e que no decurso do tempo sofreu diversas reformas e intervenções. A última delas ocorrida na década de 1990, durante a gestão de Emanoel Araújo como diretor da instituição. E de um projeto de recuperação do prédio assinado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha . O outro é representante de uma arquitetura moderna. Em 1958, a arquiteta Lina Bo Bardi projeta o e...

A dança como metáfora corporativa

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Por: Eliana Rezende É a primeira impressão a que fica? Quantos de nós somos capazes de admitir a quantidade de pré-conceitos que carregamos quando confrontados com um primeiro olhar? O exercício aqui será simples.  A dança será apenas uma "licença" para abordar temas que tem que ver com o nosso autoconhecimento e postura profissional. Uma forma divertida e inusitada de falar de preconceitos, improviso e flexibilidade nas relações. Você escolhe o ritmo e assiste a apresentação de um rock ou um tango. E, se simplesmente não resistir assista aos dois! Rock?! Tango?! Mas o que isso poderia ajudar a pensar sobre idéias preconcebidas? Acompanhe-me. Ah! E se ao final não resistir, aplauda! Todos fazem isso! Vamos ao Tango?  Agora explico o porque da proposição de pensarmos a dança como uma metáfora para o universo corporativo.  Devo dizer que transpor o que vimos, nos dois casos, tanto para nossa vida pessoal, profissional e intelectual é um ...

Letra cursiva: a caminho da extinção?

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Por: Eliana Rezende Recentemente lia sobre a decisão, e que em alguns países está se tornando lei, que é a não ensinar mais a letra cursiva nas escolas para estudantes que estão sendo alfabetizados. Ao que parece tal decisão pauta-se mais pelos que consideram que a escrita digital está substituindo a escrita cursiva, e que esta última não possui sentido em um mundo feito de gadgets e outras formas de composição do escrito. Não sei se esta radicalização é correta neste momento ou se basta deixar os anos correrem para ver se a escrita cursiva de fato cairá na obsolescência e consequente esquecimento, tal como o dizem seus profetas apocalípticos. Tudo acaba sendo especulativo. Mas de fato, creio que essa opção de extirpar a escrita cursiva, ainda na alfabetização, será alvo de acaloradas e intensas discussões. Um artigo interessante do The New York Times trata desta questão do ponto de vista do que se tem com a escrita de próprio punho. Veja aqui :  No lado opos...

De metáforas e escrita...

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Por: Eliana Rezende "Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”   (Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948) Sim, a palavra, tal como a roupa da lavadeira precisa ser trabalhada e limpa antes de ser exposta. É trabalho duro, de ir e vir, encontrar sua sonoridade e ritmo tal como o tecido...