A morte nossa de cada dia

Escrito e lido por: Eliana Rezende Ouça eu ler para você (escolha a opção abrir com: Music Player for Google Drive) Quantas mortes cotidianas, pequenas, miúdas somos capazes de acumular em uma existência inteira? Morremos a cada grande decepção, de tédio, de medo, de desejos, por ausências, por faltas, arrependimentos, anseios, despedidas e até de vergonha! Estranho pensar que as pessoas, em geral, temem tanto sua morte derradeira e final, aquela que consome a carne, remove o oxigênio e paralisa células e coração, e se esquece que passa uma vida inteira aprendendo a morrer, deixar, desapegar, abandonar... ser deixado, largado e abandonado, preterido e até esquecido! Então por quê do medo da última de todas as mortes? Aquela que não nos obrigará a acordar no dia seguinte para de novo ver-mo-nos morrer? Ainda há os que morreram uma vez e nunca mais conseguiram voltar a viver. A morte em vida apagou-lhes o brilho, as vontades, os desejos, o viço...