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Mostrando postagens de 2016

O cortiço de nossas almas

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Por: Eliana Rezende Vez por outra sinto um grande mal estar e algumas perguntas me vem a mente: afinal, quem é que precisa de um deus, um inferno, um céu, um diabo se todos nos habitam no grande cortiço de nossas almas? Nos espreitam, acompanham, se insurgem e nos movimentam sempre e tanto! Mas é interessante como em todas as tradições religiosas são colocados para fora e para além do indivíduo como se longe ou perto significassem domínio sobre as forças do além. O Bem mantido próximo significaria bem aventurança e local certo e garantido num locus que alguns chamam céu, paraíso, mas que significariam perfeição e eternidade. Colocados num futuro ad eternum , o indivíduo passa uma existência barganhando e negociando favores e fazeres. O julgamento ora feito pelos que compartilham a fé em sua imediaticidade, ou um deus onipresente e onisciente põe em xeque princípios mínimos de privacidade: nada escapa aos seus olhos.  Do outro lado há o Mal, colocado quase sempre ...

A vida wi-fi de seres desconectados

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Por: Eliana Rezende Estranho pensar como uma civilização inteira tão conectada, ligada, plugada em cabos, fios, redes, plataformas e todo tipo de brinquedos tecnológicos pode ao mesmo tempo, e de forma quase que automática, estar completamente desconectada da vida à sua volta.  Um estado de distopia parece se avolumar e alcançar todos: não importa idade, gênero, posição social e até grau de instrução. A vida, em especial aquela vivida em grandes centros urbanos parece reduzir as pessoas a autômatos que respondem e movem-se num aglomerado de poluição e engrenagens mecânicas, metálicas, por entre concretos, por cima de asfaltos entre espelhos e vidraças. Dentro de veículos individuais ou públicos, indivíduos perfilam-se e seguem suas rotinas tendo nos ouvidos um fone, nas mãos um teclado, e alheios a tudo e todos seguem suas rotinas de congestionamentos físicos e mentais, feitos por veículos, vidas e até ausências. O único congestionamento não permitido é o de pensam...

Uma alma que gosta da chuva

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Por: Eliana Rezende A voz da chuva acalenta meu espírito, tranquiliza meus olhos e afaga meu coração. O seu som preenche cada canto recôndito do meu ser e dá-me a companhia mais que desejada. As gotas que chegam uma a uma e que, rápido são uma multidão oferecem sons ao meu silêncio. Preenchem sem encher, silenciam para dar eco ao que vem de lá de dentro. Sempre acho que minha alma é outonal. Gosto de dias molhados, chuva miúda, água encharcando a terra e dando mais verde à paisagem, gotas que respingam e desenham vidraças que emolduram. Tudo fica enquadrado... e calmo... Gosto das folhas e dos tons de outono e da forragem que oferecem à paisagem. Casadas com a chuva, molham a terra e fornecem uma composição perfeita de tons e odores. Entorpecem os sentidos, acomodam vontades, liberam prazeres. Gotas que lavam o céu ao mesmo tempo em se se desabotoam sobre a terra. O silêncio fica então cheio de elementos e sensações, uma sinfonia que ganha notas ora metálicas, ora gr...

A desinformação togada e o WhatsApp

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Por: Eliana Rezende Foram uma, duas, três vezes e milhões de brasileiros sendo penitenciados por uma decisão togada que revela além de uso desproporcional de força um equívoco provocado por desinformação começada na toga e concluída em praça pública. Não creio ser necessário entrar no mérito da questão judicial que de um lado pressiona a empresa detentora do serviço (WhatsApp) e a questão de quebra de sigilo de contas de contraventores ou punição de milhões de inocentes. O que me chama a atenção é a desinformação sobre o assunto da criptografia por parte dos que julgam e promulgam sentenças. Algo crasso e imperdoável. Emitem pareceres que caberiam bem no século XIX, ou no XX sem web. Mas nos dias de hoje?! Para além de tudo significar ferir diretamente o que determina o Marco Civil Regulatório da Internet no Brasil e o artigo nº 13 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos de uma única vez. Mas afinal: o que é mesmo criptografia? Se formos ao dicionário, a definição m...

Cultive gênios: aprenda com os fracassos!

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Por: Eliana Rezende É muito pertinente pensarmos de que forma se "cultivam" genialidades. Ninguém as cria! Mas, uma vez existindo terreno fértil podem frutificar. A humanidade produziu diversos, em diferentes períodos e espaços, mas o tripé: mistura de pessoas, educação e incentivo a tomada de riscos e fracassos, parece de fato contribuir para que haja saltos qualitativos. Confesso que gosto muito, e incentivo a tomada de riscos e fracassos. Em geral, profissionais temem o fracasso, e se esquecem de que sobre ele podem edificar uma sólida construção. Não que o erro seja desejável, mas faz parte de um processo que, se bem conduzido, possibilita dividendos. É importante pensarmos que a educação e a formação devem ter em seu horizonte os fracassos e deles criar novas possibilidades. T al concepção favorece o cultivo das genialidades - não como algo extraordinário, mas como absolutamente possível e viável. Talvez a coisa mais importante aqui não seja o sentido de...

Memórias digitais em busca da eternidade

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Por: Eliana Rezende De novo a questão das obsolescências e permanências. A crescente demanda tem imposto alguns limites e soluções precisam ser buscadas. Como não perder tudo o que se produz? E com quais custos? Muitas perguntas de fato! Creio que isso se transformar em uma reivindicação é de fato um progresso interessante. São dois pontos importantes: a busca por um direito de acesso à informação e de outro o exercício de cidadania. Diriam alguns que Tecnologia da informação é um eterno reinventar, por que existe a barreira das leis da física. Noves fora isso, o restante é com o departamento de marketing. Mas será? Poria outros dois mais: o financeiro que destina recursos, e porque não a preservação de documentos para o futuro? Como historiadora, um dos principais obstáculos que temos é a garantia de acesso a documentos através do tempo. A longa duração para historia pode significar a eternidade, já para a tecnologia ela representa tão somente casas que vão abaixo...

Viagem Pitoresca ao Brasil, de Debret

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Por: Eliana Rezende           & Lionel Bethancourt História pode também ser escrita por imagens, e livros nem sempre precisam de palavras dispostas umas após outras para compor um enredo. Este é o caso do livro "Viagem Pitoresca ao Brasil”, uma obra de Jean Baptiste Debret. Imagens que povoam nosso imaginário, que são nossas velhas conhecidas desde os tempos de escola e que olhadas séculos depois nos mostram tanto! Caso não conheça, ou não se lembre, clique aqui para (re)ver/lembrar/conhecer. Vendedores de palmito e de samburás , 1834-1839 - de Jean-Baptiste Debret (França, 1768-1848) Gravura baseada em aquarela, original c. 1825 A beleza e precisão dos traços de Debret são fantásticos e nos fazem pensar sobre o quanto hoje em dia as mãos e as possibilidades que estas tem de traçar e desenhar se afastam disso e aproximam-se de teclados, Ipads e mouses.... Será que estaríamos desaprendendo? Bem, não sejamos tão radicais. Desaprendendo talvez ...

Será mesmo que você escolhe?

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Me incomodo quando vejo imensas, e diversas, campanhas publicitárias que no fundo são sempre mais do mesmo. Elas procuram de todas as maneiras vender-lhe a ideia de que você está escolhendo, o que me parece tão sem sentido! Explico: Escolher, por exemplo, um carro entre as cores metálicas (em geral prata), branco, preto ou vermelho? Isso é escolher? Experimente fazer o exercício de olhar um congestionamento qualquer e verá sempre os mesmos carros (uma ou outra alteração aqui e ali; às vezes uma lanterna, outras uma frente mais ou menos arredondada, mas é só), um amálgama, sempre das mesmas monótonas cores primárias trafegando comprimidamente entre seus 5 lugares. Mesmo por dentro tudo é disposto sempre da mesma forma e maneira. Motores isso ou aquilo, para quê? Se todos conseguem desenvolver apenas aqueles míseros 20 km/hr nas ruas e avenidas de trânsitos congestionados das grandes cidades? Observe o mais novo celular que você puder encontrar. Temos os mesmos botões e posiç...

Dia de Festa: O “Pensados a Tinta” está fazendo seu 2º Aniversário

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Por: Eliana Rezende E as páginas do calendário caíram e de novo estamos começando um novo ano e o “Pensados a Tinta” completando seu 2º aniversário. Passou depressa e depois de ter dados seus primeiros passos, hoje está integrado à minha vida e talvez à vida de tantos leitores. Chegamos a 12 de Janeiro de 2016 com mais de 85.500 leitores: interlocutores que estimulam minhas inquietações e vontades. Que prazer poder ter tintas suficientes para trocar ideias, pensamentos, reflexões! A todos os que me acompanham, dou aqui meu muito obrigad@. Sem vocês seria muito difícil ter inspiração, motivação e vontade para a escrita. O Pensados a Tinta vem sendo uma forma deliciosa de expressão e comunicação com a qual aprendi a me relacionar e brincar com palavras e arquiteturas de ideias. Após escrito, cada post emancipa-se de suas tintas e ganha vida e autonomia. Deixa de me pertencer. Ganha sentidos diversos de acordo como cada leitor encadeia sua leitura e seus pensamentos....