O papel e a tinta por Da Vinci
Por: Eliana Rezende
Certo dia, uma folha de papel que estava em cima de uma mesa, junto com outras folhas exatamente iguais a ela, viu-se coberta de sinais. Uma pena, molhada de tinta preta, havia escrito uma porção de palavras em toda a folha.
Certo dia, uma folha de papel que estava em cima de uma mesa, junto com outras folhas exatamente iguais a ela, viu-se coberta de sinais. Uma pena, molhada de tinta preta, havia escrito uma porção de palavras em toda a folha.
— Por que você não me poupou dessa
humilhação? — perguntou, furiosa, a folha de papel para a tinta.
— Espere — respondeu a tinta —, eu não
estraguei você. Eu cobri você de palavras. Agora, você não é mais apenas uma
folha de papel, mas sim uma mensagem. Você é a guardiã do pensamento humano.
Você transformou-se num documento precioso!
E, realmente, pouco depois, alguém foi
arrumar a mesa e apanhou as folhas para jogá-las na lareira. Mas, subitamente,
reparou na folha escrita com tinta, e então jogou fora todas as outras,
guardando apenas a que continha uma mensagem escrita.
A fábula
traz em si o sentido de como o processo de produção origina um documento e com
isso um testemunho para o futuro. Todos os que trabalham com as tintas que se
derramam sobre o papel devem pensar sobre seu valor como patrimônio e legado.
Discussões sobre suportes e meios não importam
tanto quanto aquilo que se imprime na folha que está em branco. Com o "poder" da tinta sobre o papel
desenham-se e materializam-se ideias que auxiliam o povoar e habitar de outras
mentes e outros pensamentos: a escrita é virtuosa exatamente porquê "contamina".
Tal como um vírus, ela se altera tanto quanto se dissemina.
Gosto de pensar que as palavras materializem ideias e disseminem prismas e quiçá num futuro possam ser lidas como testemunho de um dado passado.
Únicos a ser capazes de atribuir sentidos, significados e sentimentos àqueles que em avulso representam apenas sinais pictóricos, o homem vive a crise dos suportes e dos meios tecnológicos.
Tal como um vírus, ela se altera tanto quanto se dissemina.
Gosto de pensar que as palavras materializem ideias e disseminem prismas e quiçá num futuro possam ser lidas como testemunho de um dado passado.
Únicos a ser capazes de atribuir sentidos, significados e sentimentos àqueles que em avulso representam apenas sinais pictóricos, o homem vive a crise dos suportes e dos meios tecnológicos.
E assim, que venham tablets, internet, e-books, ou quaisquer gadgets: coexistirão sempre com as palavras que lado a lado expressam ideias corporificadas e carregadas de sentido.
As apocalípticas profecias do fim de tudo, felizmente continuam a existir para que engrossem pilhas de não cumprimentos.
Felizmente a vida vai passando, com elas muitas tecnologias e nós vendo-as passar e coexistir.
Talvez seja essa a magia: perceber que tudo permanece pela eternidade que lhe é possível e em conformidade com o seu tempo.
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Em Tempos de Tintas Digitais: Escritos e Leitores - Parte I
Pensados a tinta e escritos à máquina
Chegamos ao fim da leitura?
Como se constrói uma Narrativa Fotográfica?
Pouco refletimos sobre o que vivemos, principalmente nessa era tecnológica. As fotos ou imagens são muito valorizadas e deixa-se de lado a palavra...Mas que boa reflexão nos trouxe este texto sobre a importância do que se deixa escrito...Além de ser um patrimônio, é uma pausa para reflexão para quem lê...
ResponderExcluirIsto parece óbvio, mas cada vez menos dedicamos nosso tempo a reflexão...
Olá Onnakai...
ExcluirInfelizmente a fluidez dos tempos tem imprimido outros ritmos às existências de todos nós: cada vez mais a escrita transforma-se em fonética e como vc mesma diz são as imagens que parecem pretender ser síntese de tudo.
A mágica da tinta imprimindo tons ao papel está cada vez mais distante.
O tema interessa-me exatamente pq sou historiadora e atuo na área de Gestão Documental, onde o valor do escrito é muitas vezes patrimônio.
Abs e continuo dando o prazer da tua leitura e dos teus comentários...
Adorei teu texto Eliana! Parabéns! Abraço
ResponderExcluirOlá Kel...
ResponderExcluirMuito obrigad@!
É sempre um prazer derramar tintas para que outros as vejam.
Abs
Oi, querida, adorei!!! Beijos, saudade!!!
ResponderExcluirOi Lilly querida....
ResponderExcluirTo por aqui sempre...
A "casa" é tua!
Que bom que gostou. Viu os outros?
Bjs e volte sempre