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Mostrando postagens de outubro, 2014

Se não está Google, será que existe?

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Por: Eliana Rezende Interessante a pergunta, mas ela não é minha. O pessoal do Programa Pé na Rua, da TV Cultura, levou esta questão para as ruas para ver o que e como pensam as pessoas. Veja só as respostas que tiveram: Apesar da pergunta não ser originária minha vejo que é uma pergunta que está diretamente ligada aos chamados nato-digitais. Interessante como uma ferramenta em poucos anos pode ter alcançado um estado de unanimidade em especial pelos mais jovens. No programa é nítido como o mundo para além da Googlelandia quase não existe! Percebe-se nitidamente o espaço de inconsciente coletivo que esta ferramenta alcançou. Vejo que um bom caminho seja desenvolvermos um sentido de crítica ao dito e ao escrito, que pelo visto vem faltando para muitos. A dúvida e o espírito investigativo também precisam de uma maior lapidação: do contrário formaremos apenas uma geração de respostas prontas! O caminho essencial é que consigamos que os mais jovens descubram q...

Democracia de sofá e mídia partidarizada

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Por: Eliana Rezende De um sofá a vida parece ser... até confortável. Pode-se aninhar preguiçosamente, ajeitar uma ou outra almofada e acomodar-se diante da TV. Preguiçosa e languidamente consomem-se guloseimas e toda forma de venenos prováveis e improváveis. A democracia assim exercida fica fácil. Um consumo estreito e raso, muitas vezes sem crítica aprofundada. Chavões se repetem como mantra, ódios destilados. A mídia (e, esta sim cada vez mais partidarizada) oferece diuturnamente um espetáculo de desinformação como tática , com esvaziamento do que seja o sentido de sua existência que é a de informar. Como num ringue, cada um quer dar o último golpe. Aquele que levará o adversário ao tatame, sem chances de pôr-se em pé ainda durante o combate. Não importa se a vitória dar-se-á por pontos. Em diferentes momentos vê-se nitidamente que é um vale-tudo de parte à parte. E como tudo o que representa violência, assistida e consumida, não há crítica consistente. Achincalhos, ...

Infância roubada

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Por: Eliana Rezende Roubam-se infâncias. Expropriam-se direitos e vidas. Do lado de fora, guerra e ruínas, pouco para comer, trapos para vestir, feridas para cuidar. Janelas sem vidros, paredes cobertas de mofo. Para aquecer-se apenas o calor de outros corpos. Pés descalços e desolação ao largo. Caminhos estilhaçados feitos de abandonos, pedras e entulhos. Não há para onde voltar e nem para onde ir. Tanta agrura sob luzes e sombras...  Cenários de desolação, fome, morte, doenças e condições desumanas. A guerra retira de todos sua dignidade e vontade. Instala apenas o básico da luta pela sobrevivência, nem que esta, ao invés de pautar-se na solidariedade, paute-se na luta contra o próximo. Luta entre desiguais. Sempre... Pauperismo físico, mental, emocional... Almas carentes e em agonia de ser e estar. Mas se não estão em campos de refugiados ou áreas de guerra, encontram-se em campos de carvão, minas, oficinas, lavouras... onde suas mãos miúdas tecem, quebram, qu...

Desagravo paulistano

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Por: Eliana Rezende Em geral, o que move a escrita são inquietações e o caso específico das eleições de outubro de 2014 deixaram-me várias delas aqui dentro.  Reflexões ainda que sob o calor da hora são inevitáveis . Meu ponto de observação é o de uma paulistana, nascida, vivida e malcriada nesta terra e, que assiste entre perplexa e estarrecida, os resultados de urna do seu Estado a partir de seu exílio voluntário. São Paulo é para mim uma grande incógnita e pergunto-me: o que foi que aconteceu? Não sou nenhuma militante política, mas é impossível não pensar no grau de despolitização em que a sociedade paulistana se encontra. Diretamente de seus sofás e diante de noticiários pasteurizados repetem o mantra que ouvem de uma imprensa que prática sem pud or a desinformação como tática . Frases prontas, jargões, transferências de responsabilidade a outras instâncias de poder e nada mais. Seria o caso de falarmos em amnésia coletiva, opacidade intelectiva ou apenas e tão soment...